Quase três anos atras parei de escrever nesse Blog. Quem acompanhou esses 3 anos sabe que a pessoa que escreve hoje é muito melhor que aquela que escreveu o ultimo post. Mas a minha grande surpresa é constatar que o grande amadurecimento não se deu em 3 anos mas em 3 meses, nos ultimos 3 meses. Queria falar com alguem mas são 02h40 da madrugada de uma 5ª feira então fiz como fazia 3 anos atras, vim escrever aqui.
Amar é mais que o suficiente.
Desde muito tempo atrás, desde o meu primeiro namorado de verdade, quando eu tinha 15 anos, que eu vivo dizendo uma certa frase: Amar não é suficiente. Sempre que ele fazia alguma coisa "errada" e brigávamos, ele se desculpava e dizia que me amava, e eu, como dona da verdade que sempre me senti, dizia que amar não era suficiente. Na verdade nada nunca fora suficiente pra mim. Quanto mais eu tinha, mais eu queria, ad infinitum...
Depois dele vieram outros amores e paixões... Eu amei muito e foi muito amada... mesmo que nem sempre tenha conseguido enxergar isso. Pus pra correr todos os homens da minha vida. Todos com muito pesar mas pus. Sempre acreditei que o amor deles não era suficiente, ou por acreditar que o amor fosse pouco ou por mesmo sabendo ser grande o amor, acreditar que ele nunca seria o suficiente para suprir o resto que eles não me davam.
Eu pensava sempre que eu tinha que fazer o que fosse certo, e o certo era me amar e colocar as minhas necessidades (nunca supridas) a frente de tudo e seguir o meu caminho. Eu acreditava que eu era uma pessoa especial e que coitados eram os homens que haviam me perdido pois era obvio que nunca encontrariam outra pessoa como eu, esse poço de doçura, de candura, de bondade e de modéstia...
Com o passar do tempo passei a acreditar que não era nada daquilo... como eu pudera ser tão infantil??? Na verdade eles eram ótimas pessoas, só não eram as pessoas certas pra mim e que mais cedo ou mais tarde encontraríamos essas pessoas... então no meu pais das maravilhas a Alice aqui seria feliz ao lado de todos os ex-namorados que seriam meus amigos e das atuais deles que seriam minhas amigas...(!)
Eu saíra do estado eles são todos uns filhos da puta para o estado eles são ótimos, só não são pra mim sem nunca olhar para mim mesma. Claro que eu achava que olhava! Aliás, eu de fato olhava! Olhava, por que eu sempre quis ser uma pessoa melhor e sempre achei que o amor tornasse as pessoas melhor, e de fato me tornou, a cada relacionamento eu amadureci um pouco.
Mas coisas extremamente importantes não foram enxergadas. Não sou mais tola o suficiente para acreditar que para ver basta olhar... A gente precisa aprender a fazer isso a cada dia, como aprendemos nos nossos primeiros dias de vida. Primeiro aprendemos a reconhecer papai, mamãe, vovô, vovó, minha mão, meu pé e, finalmente, o máximo do amadurecimento da visão, o eu mesmo no espelho. Depois, precisamos em um momento aprender a ver que papai e mamãe e vovô e vovó não são só o que é visível aos olhos, que a parte de nós mesmos pra qual mais olhamos depois que aprendemos que aqueles pés e mãos são nossos, nosso umbigo, não é o centro do universo e então, finalmente temos que parar e aprender a nos reconhecer, só que dessa vez não é o eu no espelho, mas o eu que a gente esconde e não quer que ninguém veja, nem a gente.
Eu sempre me vira de um jeito e eu acreditava tanto no que eu me via que todos passaram a me ver assim também. E eu me via perfeita, em todas as minhas imperfeições. Justamente por que as minhas imperfeições me faziam humana e a humanidade era o maximo da perfeição. Eu já havia aprendido a me reconhecer no espelho mas eu não entendia que aquilo era um espelho. Que o que eu via de um lado, na verdade estava do outro. E que as vezes me olhava em um espelho curvo e então coisas que via pequenas na verdade eram grandes e coisas que achava grandes eram na verdade pequenas.
Tudo não passara de ilusão de ótica, de uma menina que sempre precisou ser tão forte que construiu pra si uma couraça que não permitia que ninguém a atingisse, mas não permitia também que ela se visse.
Posted at 11:37 pm by Mangah
Permalink